Ricardo Maruo

SOBRE AS NOSSAS FRAQUEZAS DA VIDA

Vamos conversar sobre fragilidade, ela disse quando começamos a sessão.

Nunca fui bom em expor minhas fraquezas, lembro que até hoje escondo o quanto tenho problemas em aceitar elogios, pois não acredito que seja merecedor. Não que eu não entenda o potencial que cada pessoa pode ter, o ponto é que ainda é difícil entender o potencial que eu posso ter.

Quando tinha 5 anos fiz um desenho e entreguei à minha mãe. Ela olhou, elogiou e colou na porta do armário para que todos pudessem apreciar a obra prima de seu filho. Mas, todas as vezes que eu passava e olhava, me vinha a ideia de que eu poderia ter entregado um desenho bem melhor. E isso me frustrava bastante. 

Antes da pandemia uma conhecida disse que minha vida era quase perfeita e aquilo me ofendeu muito. Mas a revolta era comigo, não com ela. Pensava nas inúmeras vezes que fracassei e tive vergonha de contar. Nas inúmeras vezes que quis desistir de tudo, desistir de cursos, de trabalho, de faculdade, desistir dos outros, desistir de mim. 

Sempre achei que o diálogo é a parte mais importante para qualquer relacionamento, mas este é um discurso muito bom para os outros. Para mim dava preguiça e uma exposição sem nenhuma necessidade.

Não tenho problemas em dizer te amo, menos ainda em dizer que não gosto de alguém. A questão sempre fica nas nuances, o máximo de resposta negativa que você vai ter ao me perguntar se está tudo bem é “tô levando”. Sempre atribuí isso ao fato de achar que a vida tem um modo operante que favorece bastante quem não se abre muito.

Voltando à sessão, minha analista disse que desnudar é muito mais difícil que tirar a roupa. Revelar nossas fraquezas, nossos medos mais simples, é oferecer ao outro um poder enorme sobre nós. E isso é assustador. Mas é bom não esquecer que é uma das formas mais fluídas de liberdade. E continuo tentando encontrar um jeito de ser um pai que não tive. E quem sabe, um homem com menos medo das fragilidades.

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