JR Pereira

A INTERNET QUEBROU

Você realmente acredita que aquele aplicativo é gratuito? Você acha que os testes grátis de personalidade que existem no Facebook são apenas para te proporcionar diversão? E o Google, ele faz tudo de graça apenas para facilitar sua vida? Não, nada é gratuito, ou quase nada.

É importante ter consciência e saber que ao utilizar determinados produtos ou serviços na internet, o produto na verdade é você. Ao baixar um aplicativo ou fazer testes em redes sociais, seus dados são capturados com ou sem seu consentimento e suas informações são comercializadas.Sim, isso mesmo, pois a maioria dos usuários passa o mouse direto pelos termos e políticas de uso das redes sociais, apenas clicam, aceitam e seguem utilizando as plataformas. Assim, as empresas que possuem seus hábitos de consumo, idade, endereço e demais informações, tem em mãos um produto poderosíssimo e de enorme valor publicitário.

Mas vale lembrar que a utilização de seus dados também tem um lado bom. É a partir de suas interações nas redes sociais que seu feed passa a ser personalizado e faz com que você não perca tempo vendo publicações que não sejam úteis no seu dia a dia e tenha uma navegação mais eficiente.

Indo um pouquinho além neste assunto, é bom falar sobre privacidade de dados, assunto que virou pauta mundial e foi um dos temas no último Web Summit, que aconteceu em Lisboa no mês passado. É um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do mundo e reuniu mais de 1.800 startups, 1.200 oradores e com quase 70.000 pessoas.

Entre os presentes estava o inglês Tim Berners-Lee, criador do “www”, que afirmou que a internet está quebrada, ou seja, sendo muito mal utilizada, gerando graves crises no ambiente virtual. E “quebrada” porquê? Problemas como fake news, falta segurança de dados e concentração da rede em poucas empresas que estão contribuindo para a quebra da internet, pois criam um território descontrolado e monopolizado (somente Facebook e Google concentram 80% de toda navegação da web).

Tim Berners-Lee também disse que nós mesmos precisamos “consertar” a internet urgentemente, afinal, também somos responsáveis pelo que acontece atualmente na web. O inglês está trabalhando em cima de um novo “contrato” para a internet, ou seja, diretrizes para que todos usem a web para fazer o bem e pulverize atitudes construtivas.

Mas enquanto isso não rola, sejamos conscientes, responsáveis e defensores de bons hábitos na rede. E podemos começar prestando mais atenção a quem damos permissão para utilizar nossos dados. Isso pode evitar muitas dores de cabeça e até crimes virtuais.
Fique esperto, na internet nada é de graça.

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