Ricardo Maruo

A MINHA, A SUA, A NOSSA PROFISSÃO DO FUTURO JÁ ACABOU FAZ TEMPO… MAS NINGUÉM NOS AVISOU.

Ano passado, meados de junho ou julho, uma colega perdeu o emprego. Leila trabalhava, há mais de 8 anos, como gerente de recursos humanos em uma empresa na região dos Jardins. Ela entrava as 09:00 e saía por volta das 19:00, quase todos os dias. Sentia muito orgulho de falar que era “gerente de RH” e que havia ajudado a empresa se tornar o que é hoje.

Hoje, com 47 anos, Leila continua desempregada.

Leila foi substituída por uma analista de 25 anos que entende de redes sociais e um novo software de CRM. A empresa alega que Leila não se adaptou ao “novo posicionamento”. A nova funcionária que substituiu Leila trabalha, quase todos os dias, até as 21:00 e também alguns finais de semana, e mesmo assim não consegue realizar 60% de todo trabalho que Leila fazia.

Um estudo realizado, ano passado, pelo McKinsey Global Institute declarou que a automação tecnológica pode mudar o perfil de 375 milhões de trabalhadores até 2030, o que significa de 3% a 14% da força de trabalho global. A média global de automação será 15%. No Japão esse número pode chegar a 26%; na Alemanha, a 24% e nos Estados Unidos, cerca de 23%. No Brasil, essa proporção estará em torno de 15%. (Link do estudo: https://goo.gl/fyJFGH)

Empregos como atendente de telemarketing, caixa de supermercado, caixas de banco, cobrador de ônibus, estoquistas entre outros serão substituídos bem antes de 2030. Todos as profissões que exercem trabalhos repetitivos serão substituídas por máquinas. Esta premissa não é nova. A tecnologia vem transformando profissões há tempos, a diferença de 50 anos para hoje é a velocidade com que as mudanças ocorrem. Alguns analistas afirmam que hoje muitos estudantes estão aprendendo profissões que não existirão quando eles se formarem.

Mas Leila exercia a função de gerente de RH, ela não fazia um trabalho repetitivo, estava no auge da sua capacidade produtiva, como foi substituída pela automação e por uma funcionária mais jovem?

A bem da verdade é que nem a idade nem a automação foram fatores diretos pela substituição de Leila. Além de todas as mudanças tecnológicas, a crise econômica brasileira e as incertezas de futuro, existe um ponto muito importante que poucas empresas e funcionários se atentam. Falta comunicação entre as partes.

Quanto você sabe sobre a empresa que trabalha?

O ritmo acelerado da contemporaneidade encurta o tempo e nos afasta de muitas relações importantes. Sem perceber, acabamos escolhendo um diálogo particular com um amigo próximo do que manter diálogos permanentes com a empresa que trabalhamos. O inverso também acontece, a maioria das empresas não geram oportunidades para que os funcionários se expressem. E neste cenário, onde nenhuma das partes mantêm fortes relações de comunicação é bem fácil caiu no discurso de ferramentas digitais milagrosas que vão resolver todos os problemas do mundo.

Gerar canais, aceitar sugestões e manter os diálogos abertos sobre as mudanças que a empresa passa são as partes mais importantes para quem quer se preparar para o futuro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *